Tocantins, 18 de outubro de 2019 - Mira Jornal - 00:00

Estado

Recibo apreendido pela PF revela que pai de Marcelo Miranda pagou por denúncia contra Sandoval nas vésperas de eleição

28/09/2019 21h09

Fotos: Divulgação Mirandas: Júnior, Brito e Marcelo
Denúncia teria sido feita próximo da eleição de 2014, quando Marcelo Miranda e Sandoval disputavam o governo do Tocantins. Brito Miranda teria pago R$ 700 mil para empresário.

Um recibo encontrado pela Polícia Federal aponta que Brito Miranda pagou por uma denúncia contra o ex-governador Sandoval Cardoso. O fato teria acontecido em setembro de 2014, dias depois de um avião ser apreendido em Piracanjuba (GO) com material de campanha e dinheiro ligados ao também ex-governador Marcelo Miranda. O objetivo seria amenizar o escândalo da apreensão pouco antes das eleições daquele ano, em que os dois políticos concorriam o governo do estado.

Reprodução TV Anhanguera


Recibo revela que Brito Miranda pagou por denúncia feita contra Sandoval Cardoso

O recibo escrito à mão foi apreendido durante a Operação Reis do Gado, na casa de Brito Miranda, em setembro de 2015. Na época, Marcelo Miranda já era governador. Só que a informação só veio à tona nesta semana após a PF deflagrar a operação 12º Trabalho.

Marcelo Miranda, o pai dele, Brito Miranda, e o irmão, José Edmar Brito Miranda, foram presos na última quinta-feira (26). Apenas Brito Miranda, que tem 85 anos, teve uma fiança arbitrada e ganhou liberdade. A operação 12º trabalho apresentou diversos detalhes das investigações contra a família, como um suposto presente dado ao ex-presidente do Tribunal de Justiça, dossiês feitos contra policiais e até suposto envolvimento da família com assassinatos e atos de tortura.

No recibo apreendido pela PF um empresário declara ter recebido R$ 220 mil até a data de 08.09.2015. Atesta também que receberia mais R$ 480 mil entre 08.09.2015 e 15.06.2016. O nome de quem teria feito o pagamento está rabiscado, mas os agentes de inteligência da PF acreditam se tratar de “Dr. Brito”.


Recibo aponta compra de denúncia pelo pai de Marcelo Miranda — Foto: Reprodução Recibo aponta compra de denúncia pelo pai de Marcelo Miranda — Foto: Reprodução
Recibo aponta compra de denúncia pelo pai de Marcelo Miranda — Foto: Reprodução

A Procuradoria da República sustenta que o empresário recebeu esta quantia, cerca de R$ 700 mil, para denunciar Sandoval Cardoso em um esquema de notas frias na Assembleia Legislativa, quando ocupou o cargo de presidente. Ele teria feito pagamentos por serviços não realizados.

Para o Ministério Público Federal (MPF), o interesse de Brito Miranda em expor a historia nas vésperas da eleição era diminuir o escândalo da apreensão do avião em Piracanjuba. Foi essa aeronave que acabou levando à cassação de Marcelo Miranda em 2018.

Segundo os procuradores, a denúncia sobre as supostas notas frias de Sandoval é grave e precisa ser investigadas. Só que a possibilidade de Brito Miranda comprar o depoimento do empresário, por um valor maior do que o próprio dinheiro encontrado no avião, revela a facilidade da Família Miranda em usar elevadas quantias em dinheiro escondidas ou em contas de laranjas para amparar os interesses da família.

A decisão que autorizou as prisões também cita que a Polícia Federal apreendeu em um cofre, na casa de Marcelo Miranda, um relatório confidencial e documentos sobre a vida pessoal de agentes da Polícia Civil que foram designados para acompanhar a apreensão do avião em Goiás. Inclusive informações sobre parentes destes policiais.

Para ter esses dossiês, segundo o MPF, está claro que Marcelo Miranda usou agentes de sua confiança. Isso demonstraria novamente a influência da família e uso do que se chama de contrainteligência para possíveis intimidações ou chantagens.

Marcelo Miranda (MDB) na saída do IML de Palmas após ser preso — Foto: Guilherme Lima/TV Anhanguera Marcelo Miranda (MDB) na saída do IML de Palmas após ser preso — Foto: Guilherme Lima/TV Anhanguera
Marcelo Miranda (MDB) na saída do IML de Palmas após ser preso — Foto: Guilherme Lima/TV Anhanguera

Outro lado
Marcelo Miranda continua preso no Comando Geral da Polícia Militar em Palmas e o irmão dele Brito Miranda Júnior está na Casa de Prisão Provisória de Palmas (CPP).

Sobre a denúncia do pagamento dos R$ 700 mil, a defesa da família Miranda diz que é difícil se posicionar sobre todos os fatos, principalmente os antigos, que já foram investigados e onde não se apontou qualquer participação do Brito Miranda. Disse ainda que desconhece a acusação.

O ex-governador Sandoval Cardoso que disse que "a verdade está vindo a tona e que está a disposição da Justiça."

Operação
A operação 12º Trabalho, que levou à prisão do ex-governador Marcelo Miranda (MDB) em Brasília (DF), foi resultado de um trabalho conjunto entre o Ministério Público Federal e a Receita Federal. A ação busca cumprir 11 mandados de busca e apreensão, além das três prisões preventivas. Os prejuízos estimados são de mais de R$ 300 milhões.

De acordo com a Polícia Federal, a ação busca apurar um esquema para a prática constante e reiterada de atos de corrupção, peculato, fraudes em licitações, desvios de recursos públicos, recebimento de vantagens indevidas, falsificação de documentos e lavagem de capitais, sempre com o objetivo de acumular riquezas em detrimento aos cofres públicos.

O esquema
Conforme a decisão judicial, Brito Miranda, pai do ex-governador, e Brito Miranda Júnior, irmão, funcionavam como pontos de sustentação para "um esquema orgânico para a prática de atos de corrupção, fraudes em licitações, desvios de recursos, recebimento de vantagens indevidas, falsificação de documentos e lavagem de capitais, cujo desiderato [finalidade] era a acumulação criminosa de riquezas para o núcleo familiar como um todo."

Os investigadores concluíram que os atos ilícitos eram divididos em sete grandes eixos, envolvendo empresas, fazendas, funcionários públicos e laranjas, "que se relacionavam organicamente entre si para o desenvolvimento exitoso das atividades criminosas, mas que funcionavam como grupos formalmente autônomos e independentes, sempre apresentando Marcelo Miranda, Brito Miranda e Brito Júnior como elo de ligação".

A decisão aponta ainda que, durante as investigações, foram verificados episódios de falsificação de escrituras públicas e registros de imóveis vinculados à família para promover a ocultação e blindagem patrimonial. Também há indícios de ameaças a testemunhas, compra de depoimentos e destruição de provas.

A investigação ainda apontou a utilização de equipamentos de contrainteligência para dificultar e impedir a investigação pelas autoridades policiais. "Assim como a rara utilização do sistema bancário legalizado, consoante teria restado claro a partir do insucesso das medidas de bloqueio determinadas pelo eminente ministro Mauro Campbell Marques", diz a decisão.

O texto da decisão afirma que a sucessão de atos de investigação não resultou no desmantelamento da organização criminosa, que continuaria em pleno funcionamento através de prepostos. A lavagem de dinheiro se daria pela aquisição de fazendas, aviões, veículos e gado mediante a ausência de escrituração em nome de laranjas.

Trajetória política
Marcelo Miranda foi eleito governador do Tocantins três vezes, sendo cassado duas vezes. Ele governou o estado entre 2003 e 2009 e entre 2015 e 2018. A última cassação foi por causa de um avião apreendido em Goiás com material de campanha e R$ 500 mil ligados a campanha do ex-governador em 2014.

Ele também foi eleito senador da República, mas não pôde assumir porque foi considerado inelegível.
(Do G1TO)

   

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  • Elisangela Fagundes
    15/10/19 12h18
    E a construção do supermercado?o lote que foi doado pela a prefeitura, que fez sua parte e os responsáveis? o rapaz...
  • José Professor
    13/10/19 08h14
    Fico a matutar e a conversar com meus botões a respeito do silencio sepulcral dos eleitores mais conscientes de nossa...
  • José Professor
    27/09/19 08h30
    Com a proximidade de novos embates políticos rumo aos cargos de alcaide e edis de nossa Miracema, pelo menos para os...
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