Tocantins, 26 de junho de 2019 - Mira Jornal - 00:00

Brasil

Apoio a fechar Congresso e STF avança entre a direita, mostra pesquisa

10/06/2019 09h21

Imagem: Pedro Ladeira Folhapress Bernardo Barbosa Os presidentes do STF, ministro Dias Toffoli, e do Congresso, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), se cumprimentam
O apoio ao fechamento do Congresso Nacional e à dissolução do STF (Supremo Tribunal Federal) pelo presidente da República em caso de "dificuldades" no país avançou entre a parcela da população que declara ser de direita, segundo mostra a pesquisa de opinião Barômetro das Américas (Lapop).

Estas medidas são ilegais, podem levar o presidente a perder o cargo e, segundo o mesmo estudo, não são apoiadas pela maioria da população como um todo.

Coordenado pela universidade americana Vanderbilt, o levantamento foi realizado em toda a América. A etapa
brasileira foi realizada em parceria com o Cepesp/FGV (Centro de Economia e Política do Setor Público da Fundação
Getulio Vargas) ao longo de janeiro e fevereiro, com 1.498 entrevistados em 107 cidades das cinco regiões. A margem
de erro é de 2,5 pontos. Os resultados foram divulgados na semana passada.

Pela primeira vez desde 2012, segundo o Lapop, a direita é o maior grupo político na população brasileira: 39%, o
maior patamar da série histórica iniciada em 2006. A esquerda ficou com 28%, caindo de 39% em 2017. Eleitores de
centro ou que não responderam somaram 33%.

O apoio à dissolução do Supremo pelo presidente "quando o país está enfrentando dificuldades" foi a medida ilegal
cujo apoio mais avançou, ao longo do tempo, entre os eleitores de direita.

Em 2008, primeiro ano da série histórica para este assunto, a proporção de eleitores de esquerda que apoiava a ação
era de 19%, maior do que o apoio entre a direita (15%) e os eleitores de centro ou que não responderam (13%).

Agora, 52% dos eleitores de direita concordaram com a dissolução do STF com o país em "dificuldades". O apoio à
medida também subiu entre a esquerda (35%) e os de centro e que não se posicionaram politicamente (25%).

A maioria da população é contra dissolver o Supremo (62%) --mas o patamar de apoio é o maior da história da
pesquisa (38%, contra 14% em 2008).

Também cresceu entre a direita o apoio ao fechamento do Congresso pelo presidente "quando o país está enfrentando
dificuldades". Em 2006, primeiro ano da série histórica para este tema, 17% dos direitistas concordavam com a
afirmação. Agora, são 30%.

Esta evolução vai na contramão do que ocorreu nos outros dois grupos. O apoio ao fechamento do Congresso na
esquerda caiu de 22% para 17% e, entre os de centro ou que não responderam, foi de 20% para 17%.
Mesmo assim, a maioria dos brasileiros continua sendo contra fechar o Congresso: eram 81% em 2006 e são 78% hoje.

De acordo com a Constituição, entre os crimes de responsabilidade do presidente estão atentar contra o "livre
exercício" dos Poderes Legislativo e Judiciário. A lei específica sobre estes delitos lista, entre eles, "tentar dissolver o
Congresso Nacional" e "opor-se diretamente e por fatos ao livre exercício do Poder Judiciário".

O professor George Avelino, coordenador do Cepesp/FGV, diz que ainda não é possível entender por que mais gente
apoia tais ações, assim como os motivos pelos quais a dissolução do STF pelo presidente tem mais respaldo que o
fechamento do Congresso. Ele destaca, no entanto, que a direita está se distanciando no apoio a estas medidas.
Para ele, os dados são "preocupantes", principalmente no caso do STF, já que "o apoio [à dissolução] subiu nos três
grupos" (esquerda, centro e direita).

Por outro lado, Avelino lembra que o papel do Supremo em uma democracia é o de defender a minoria contra a
maioria, "o que torna o STF potencialmente não muito popular".

A ideologia está voltando a ser importante, a direita está se desgarrando em relação aos outros grupos. Vinha todo
mundo mais ou menos com as mesmas opiniões, até que agora desgarrou
George Avelino, coordenador do Cepesp/FGV

O historiador Murilo Cleto, que pesquisa bolsonarismo e a nova direita na UEPG (Universidade Estadual de Ponta
Grossa), observa que a evolução do apoio à dissolução do STF pelo presidente "é muito mais aguda" que a do
fechamento do Congresso e entra em pauta durante as turbulências políticas enfrentadas pelo país nos últimos anos.
"Foi nas mobilizações pró-impeachment que começaram a circular com mais ênfase essas manifestações anti-STF", diz,
lembrando protestos contra os ministros Teori Zavascki (1948-2017) e Ricardo Lewandowski.

Ainda segundo Cleto, o avanço do apoio a essas pautas pode ser relacionado à ascensão do presidente Jair Bolsonaro
(PSL).

Para o historiador, o bolsonarismo tem desempenhado um papel simbólico "de tornar esses discursos admissíveis". "Aí
que reside o perigo", afirma.

Em maio, Bolsonaro endossou as manifestações que criticaram, em todo o Brasil, o Congresso e o Supremo, mas
afirmou também que quem pedia o fechamento dessas instituições estaria "na manifestação errada". Durante a
convocação dos protestos, militantes levantaram tais pautas, rechaçadas por organizadores dos atos de rua.

No ano passado, causou polêmica a divulgação de um vídeo do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP)
dizendo que, para fechar o STF, bastaria "um soldado e um cabo". Eduardo disse que nunca defendeu o fechamento do
Supremo e que apenas respondeu "a uma hipótese esdrúxula, onde Jair Bolsonaro teria sua candidatura impugnada
pelo STF sem qualquer fundamento".

Presidente "polariza"
Avelino, do Cepesp/FGV, diz que a atitude de Bolsonaro e aliados pode ter influenciado no maior apoio da direita a esse
tipo de pauta, mas que ainda não foi possível medir isso. "Teríamos que fazer mais pesquisas."
O professor lembra, no entanto, que na mesma pesquisa do Lapop foi feito um teste para verificar como a posição de
Bolsonaro em um determinado assunto pode influir na opinião das pessoas.

Os entrevistados foram perguntados se concordavam ou não com a proposta de privatizar a Petrobras --no ano
passado, durante a campanha eleitoral, Bolsonaro admitiu a possibilidade de privatizar a estatal.

Sem a informação sobre a posição de Bolsonaro, o apoio à privatização entre os entrevistados que consideram o
governo ótimo ou bom era de 45%. Já entre os que avaliam a administração como ruim ou péssima, o respaldo era de
33%. Ou seja, uma diferença de 12 pontos percentuais.

Após saber da posição de Bolsonaro, o apoio no primeiro grupo foi para 57% e caiu para 23% no segundo. A diferença
entre os grupos aumentou para 34 pontos percentuais.

"Quando fala que o Bolsonaro apoia, polariza. Tem gente que apoia o governo e que passa a apoiar mais. Quem
achava o governo ruim passa a apoiar menos. Uma vez que você adiciona a informação, polarizou mais as opiniões",
diz Avelino.
(Com informações do Folhapres)

   

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Edição - Erica Regina F. Ferreira e Rafael


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  • José Professor
    24/06/19 11h05
    Vou me transmutar em adivinho e tentar descobrir o que está acontecendo ou por qual motivo Miracema está abandonada...
  • João Carlo
    22/06/19 06h58
    Ingratidão só aqui em Miracema onde o prefeito coloca adversário em sua equipe e os companheiros foram muitos e ficam...
  • José Professor
    13/06/19 10h49
    Pouco saio de casa. Após as 19 h então é quase impossível. Aliás,...
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