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Estado

Deputado e ex-mulher eram beneficiados com esquema de fantasmas, aponta investigação

07/01/2019 15h26

Koró Rocha
Polícia faz busca e apreensão em chácara do deputado Valdemar Júnior

Mandados de busca e apreensão foram cumpridos nesta segunda-feira; polícia pediu prisão de Valdemar Junior, mas a Justiça não aceitou. Investigações fazem parte da operação Catarse.

As investigações da Polícia Civil apontaram que o suposto esquema de servidores fantasmas descoberto no gabinete do deputado Valdemar Júnior (MDB) tinha como beneficiários finais o próprio parlamentear e a ex-esposa dele, Flavilene Maria. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos durante a manhã desta segunda-feira (7) em dois endereços. A polícia chegou a pedir a prisão preventiva do deputado, mas o pedido foi negado pelo Tribunal de Justiça.

O advogado do deputado, Marcelo Cordeiro, disse que na casa do deputado foi apreendido apenas um celular. Afirmou ainda que no gabinete do parlamentar não há nenhum servidor fantasma e que vão prestar os esclarecimentos necessários para a investigação. O G1 ainda tenta contato com a defesa de Flavilene.

Os mandados cumpridos nesta segunda-feira fazem parte da quinta fase da operação Catarse, que investiga a existência de funcionários fantasmas na Assembleia Legislativa e danos ao erário. Na fase anterior da investigação, três funcionários do gabinete de Valdemar Júnior foram presos.

A suspeita da polícia é de que existe um esquema estruturado para captar recursos públicos de forma ilegal com a contratação de assessores legislativos fantasmas. Esses servidores não trabalhavam, mas recebiam o salário e tinham que devolver a maior parte para os servidores que serviam como coletores.

"[...] após receberem seus proventos, os "devolviam" substancialmente a pessoas denominadas como "coletoras", lotadas no referido gabinete e que, por sua vez, faziam chegar à Sra. Flavilene Maria (ex-esposa do mencionado parlamentar)", diz trecho da decisão que autorizou os mandados.

As investigações apontaram ainda que o deputado também estaria envolvido. "[...] pelas investigações, seria o organograma de uma organização criminosa, cujos beneficiários finais dos valores repassados seriam Flavilene e o representado [o deputado]", diz a decisão.

O pedido de prisão preventiva contra o deputado foi feito porque ele estaria determinando a destruição de provas por parte dos demais investigados. "No tocante ao deputado são indícios, isso foi enxergado pelo judiciário e também pela polícia. Nesse final de semana, os últimos eventos trazem o deputado para o cenário dos eventos [criminosos]", comentou o delegado Cassiano Oyama.

Quinta fase
A Polícia Civil cumpre na manhã desta segunda-feira (7) dois mandados de busca e apreensão em Palmas. As ações são realizadas na chácara do deputado estadual Valdemar Júnior (MDB), na região sul de Palmas, e em uma casa na quadra 303 Sul. O objetivo dos policiais é recolher celulares e documentos.

Outras fases
A primeira fase da operação foi realizada no dia 6 de dezembro e cumpriu mandados de busca e apreensão em um hotel de luxo em Araguaína, norte do Tocantins. O objetivo era investigar se a dona do local, Kátia Borba Neves, é funcionária fantasma do governo do Estado. A polícia apura prejuízo de R$ 250 mil aos cofres públicos.

No dia 7, mandados de busca e apreensão foram cumpridos na Secretaria-Geral de Governo, onde a Polícia Civil investiga a existência de cerca de 300 funcionários fantasmas. O órgão fica dentro do Palácio Araguaia e serviria para cuidar da parte administrativa do gabinete do governador, da Praça dos Girassóis e de escritórios de representação do governo.

No dia 13 de dezembro, a Polícia Civil informou que estava investigando um homem suspeito de ser funcionário fantasma no gabinete do deputado estadual José Bonifácio (PR). Ele foi idenficado como Luzymar Aguiar da Luz.

Segundo a denúncia, Aguiar é funcionário do deputado desde 2011 recebendo R$ 2.354,00. Ao mesmo tempo, ele cumpre jornada de trabalho semanal de 44 horas em uma empresa privada em Araguaína desde 2005. A suspeita é que ele tenha recebido mais de R$ 300 mil sem trabalhar.

Três funcionários da Assembleia Legislativa foram presos preventivamente no gabinete do deputado Valdemar Junior (MDB), no dia 19 de dezembro.
(Do G1TO)

   

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