Tocantins, 10 de dezembro de 2018 - Mira Jornal - 00:00

Estado

Esquema que desviou R$ 7 milhões era composto por políticos, servidores e empresas fantasmas

03/08/2018 12h25

(Foto: Jesana de Jesus/G1) Polícia Civil fez coletiva para explicar esquema (Foto: Jesana de Jesus/G1) Polícia Civil fez coletiva para explicar esquema
Dinheiro teria sido desviado da Prefeitura de Palmas e serviu para financiar campanhas políticas em 2014. Polícia Civil apontou que esquema era formado por quatro núcleos.

O esquema criminoso que desviou R$ 7 milhões da Prefeitura de Palmas envolveu pelo menos 10 entidades sem fins lucrativos e sete empresas fantasmas. É o que aponta a decisão que determinou a prisão temporária de 26 pessoas, incluindo três vereadores. As investigações da Polícia Civil apontaram que o esquema era dividido em quatro núcleos.

Os vereadores Folha e Major Negreiros, que tiveram a prisão temporária decretada, informaram que estão em viagem e vão prestar esclarecimentos quando voltar. A Prefeitura de Palmas disse que vai contribuir com as investigações. Confira a resposta de cada um no fim da reportagem.

A 2ª fase da Operação Jogo Limpo começou na madrugada desta sexta-feira (3). Foram expedidos 26 mandados de prisão temporária e 31 de busca e apreensão. Até o meio-dia, 22 pessoas foram presas e quatro ainda não foram encontradas. Os suspeitos foram levados para a Casa de Prisão Provisória de Palmas e para a unidade prisional feminina.

O dinheiro desviado seria destinado para projetos sociais e de incentivo ao esporte. Porém, teria sido usado para financiar campanhas eleitorais em 2014.

Segundo a decisão judicial, dez entidades investigadas admitiram o uso de notas frias fornecidas por sete empresas fantasmas. As notas seriam para justificar despesas e serviços não realizados. Depois, o dinheiro seria desviado para servidores e agentes políticos ou para terceiros indicados por eles.

Polícia Civil fez coletiva para explicar esquema (Foto: Jesana de Jesus/G1) Polícia Civil fez coletiva para explicar esquema (Foto: Jesana de Jesus/G1)
Polícia Civil fez coletiva para explicar esquema (Foto: Jesana de Jesus/G1)

Núcleos
A investigação apontou que o esquema possuía quatro núcleos. O primeiro, segundo a polícia, seria formado pelos operadores do esquema, que também faziam a lavagem do dinheiro.

O servidor Juliano Ebeling Viana seria o responsável por aliciar os presidentes das entidades esportivas, confeccionar os projetos a serem apresentados ao município e dar agilidade dentro da Fundação de Esportes do Tocantins. Segundo a polícia, o servidor era auxiliado pela esposa, Marcileia de Souza.

Função semelhante era exercida por Fernando Fagundes Bastos, na Secretaria de Governo e Relações Institucionais de Palmas. Além deles, outras pessoas também foram apontadas como operadoras pontuais.

Outros dois suspeitos que participavam deste núcleo eram James Paulo Maciel Vilanova e Márcio Marques Soares. Para a polícia, eles seriam os responsáveis por administrar sete empresas fantasmas e emitir notas frias.

O segundo núcleo seria constituído de servidores públicos das duas secretarias. Eles possuíam a função de agilizar os processos de liberação dos recursos públicos.

Já o terceiro núcleo, apontado como complementar, era constituído pelas entidades que teriam sido contempladas pelos convênios e outras empresas fantasmas.

Por fim, o quarto núcleo seria de agentes políticos da base aliada do poder executivo. "[...]em especial, aqueles que detinham possibilidade de ascensão ao cargo de deputado estadual ou federal nas eleições proporcionais de 2014", apontou a polícia.

Neste núcleo estavam os políticos supostamente beneficiados pelo esquema: Waldison da Agesp, Major Negreiros (PSD), Rogério Freitas (MDB) e José do Lago Folha Filho, o Folha (PSD), além de militantes que participavam da campanha.

Confira os mandados de prisão da 2ª fase da operação:

Marcio Marques Soares
Elza Maria Silva Carvalho Soares - Servidora pública
Salvador Domingos Anjos - Presidente Federação Tocantinense de Kickboxing Amador
Waldson Pereira Salazar - Ex-vereador de Palmas
Fernando Fagundes Bastos - Servidor público
Armando Cabrera Abreus - Ex-diretor da Fundesportes
Bruno Henrique Castilho Lopes - Servidor público
Pedro Neto Gomes Queiroz - Servidor público
Neimar Tavares Magalhães - Ex-superitendente de feiras de Palmas
Adenilton de Sousa Barbosa
Cláudio Adalberto do Amaral Santos
Renato Cesar Auler do Amaral Santos
Jose Antônio Coelho Dos Santos
Pedro Coelho Dos Santos
Ana Maria Lage Rabelo
Marcelo Rosseto Claudiano - Ex-vice-presidente financeiro da Federação Tocantinense de Futebol de Salão
Jocivaldo Dias Cardoso - Presidente da Federação de Karatê do Tocantins (FEKTO)
Jarbas Pinheiro de Lemos - Presidente de um grupo de quadrilha junina
Wilson Alves da Silva - Membro do conselho municipal de políticas culturais em 2014
Marcio Keilos Simão de Carvalho - Presidente da Associação Tocantinense de Titan Cross
Flaviane Cruz Cardoso Santos - representante de uma casa de recuperação e ex-membro do Conselho Municipal de Assitência Social em 2014
Florisval Batista dos Santos - representante do Instituto de Ensino e Pesquisa Azibo Capoeira
Clayzer Magno Duarte - Ex-presidente de associação de moradores
Raimundo Rêgo de Negreiros - Vereador de Palmas
Rogério Freitas Leda Barros - Vereador de Palmas
José do Lago Folha Filho - Presidente da Câmara de Vereadores

Outro lado
A Câmara de Palmas informou que o presidente da Casa, vereador Folha, cumpre agenda política em Araguaína e está a caminho de Palmas para prestar os esclarecimentos necessários à Polícia Civil.

O chefe de gabinete do major Negreiros informou que ele está viajando com a família para o Chile e ainda não tomou conhecimento da operação.

A Prefeitura de Palmas informou que está à disposição da Justiça e da investigação para contribuir com qualquer esclarecimento.

O G1 ainda tenta contato com a defesa do vereador Rogério Freitas e dos demais citados nesta reportagem.

   

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  • Indignado
    28/11/18 11h37
    Acorda povo de Miracema e região. Tirem a bunda do sofá e se mexam. Acordem e olhem em sua volta. É um absurdo o que...
  • José Oliveira Martins
    17/10/18 09h17
    Não sei se cabe aqui minha pergunta. Outrossim vou perguntar: "Como se encontram as investigações do assassinato...
  • Dona Zilma
    08/09/18 18h40
    poise ze carlo moisés em pouco tempo fez muto por miracema, a policia p´recisa logo descobrir quem fez isso, o senhor...
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